A geopolítica do petróleo remete a dinâmicas políticas e cenários que se referem ao principal recurso natural da atualidade, o “ouro negro”, responsável por diversos conflitos político-ideológicos, e até mesmo guerras. A versatilidade do uso dos derivados do petróleo, como na geração de energia, na produção de plástico, solventes, tintas, etc., intensifica a realização de buscas por novas jazidas no mundo, buscas estas feitas especialmente pelos países desenvolvidos, que apresentam um elevado consumo e cujas reservas territoriais não satisfazem a demanda interna, ocasionando a forte importação. É nesse aspecto que a situação torna-se delicada. O petróleo, símbolo de progresso e riqueza das nações desenvolvidas, não fornecia aos países com as maiores reservas os mesmos benefícios.
- A Europa e o Oriente Médio -
Pensar no Oriente Médio ao se falar em petróleo é quase automático. A região, extremamente rica em óleo, passou a ser extremamente explorada no final do século XIX por nações europeias; a cobiça foi estimulada pelo imperialismo vigente, e os países europeus buscavam dominar economicamente essas nações, e assim ampliar seus mercados e se apossar de suas reservas petrolíferas. Essa expansão e exploração massiva é responsável por agravar disputas territoriais e étnico-culturais que se vêem atualmente,visto que as fronteiras dos países da região do Oriente Médio- especialmente os países localizados no Golfo Pérsico- foram bastante alteradas, conforme a necessidade de se produzir mais petróleo aumentava, e até mesmo o caminho para se transportar o óleo até o continente europeu foi também simplificado através do canal de Suez.
- Os Estados Unidos-
Passada a segunda guerra, a dominação antes exercida pelos países europeus sobre os países do oriente médio passa agora a ser exercida pelos EUA, que em meados do século XX teve um crescimento exponencial devido a produção petrolífera interna (que teve um grande desenvolvimento no fim do século XIX com uma grande contribuição de John Rockfeller), a evolução industrial e a acordos feitos durante a guerra. Os governos orientais sofreram grande influência dos norte-americanos, e medidas foram tomadas para que as petroquímicas estadunidenses penetrassem a região. Como consequência desse processo, pode-se citar: intervenções militares no Iraque,no Kwait e na Líbia. Vale ressaltar também que a região também era de interesse dos EUA devido a sua influência na Guerra Fria.
- A Guerra do Yom Kippur-
Foi nesse contexto de Guerra Fria que em 1973, Israel, Egito e Síria conflitaram-se. Israel possuía apoio americano, enquanto a Síria era suportada pela ex-URSS, e Israel possuía regiões antes pertencentes ao Egito e a Síria, conquistadas na Guerra dos Seis Dias. Como retaliação, Egito e Síria aliaram-se e atacaram Israel no feriado de Yom Kippur. Mas quais as consequências dessa guerra no mundo do petróleo? Acontece que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) também “atacou” o mercado de exportação, boicotando os estados aliados a Israel, elevando o preço dos barris e bloqueando suas produções. Esse episódio ficou conhecido como o primeiro choque do petróleo, e causou o pânico e uma procura desesperada por petróleo não-árabe nos países desenvolvidos.
Como pode-se notar, a sede por controlar o mercado do petróleo ocasionou no decorrer da história do mundo conflitos, alterou fronteiras, e ceifou vidas, revelando uma realidade confusa e muito ligada a economia. Com a descoberta da camada de pré-sal no Brasil, as atenções mundiais se voltaram ao país, e não se pode afirmar como a sua exploração influenciará nas relações diplomáticas globais num futuro próximo, o que pode-se fazer, portanto, é aguardar uma realidade com certeza diferente da atual.
David de Sousa Cabral
Graduando em Engenharia de Minas e Petróleo - UFBA




